stresse na vida moderna

A vida se tornou corrida demais nos dias de hoje. Corremos sem parar. E se não tomarmos cuidado, somos atropelados pela nossa própria correria, esquecendo de nós mesmos no meio do agito diário.

O problema é que não sobra mais tempo para pensar, refletir e sentir a vida. Quando nada mais se sente, resta o vazio que domina tudo hoje, fazendo com que as pessoas se desmotivem. A motivação vem dos sentimentos profundos que temos dentro de nós. Não são as coisas externas que nos motivam, mas o que há de mais íntimo: a nossa vontade espiritual, perceptível a quem cultiva sua vida interior.

A felicidade, a paz, a harmonia são coisas que vem de dentro. Quando guardamos um tempo para nós mesmos, refreando um pouco a vida agitada que levamos (nos momentos em que é possível refreá-la…), tocamos nas questões do nosso íntimo, encontrando o conforto que nos faz sentir mais leves. O peso do mundo parece nos soterrar, às vezes. Mas nas profundezas íntimas temos o refúgio onde captamos as forças para seguir adiante, encontrando um motivo para viver novamente.

De modo algum podemos fugir do mundo. Estamos encarnados na terra para encarar a vida do jeito que ela é. Mas temos de reservar alguns momentos de reflexão, em que os sentimentos possam vir à tona, trazendo-nos respostas para as questões sedimentadas dentro de nós. Isso é a introspecção, necessária para que pratiquemos o autoconhecimento, essencial para que nos equilibremos.

O equilíbrio entre a correria externa e a vida interior é algo essencial. Somente assim podemos impor limites ao estresse que toma conta de nós, tantas vezes. Onde o Eu interior da pessoa se dilata para expressar suas carências abre-se um espaço para que a paz de espírito surja, naturalmente.

Faz-se necessário ouvir dentro de si mesmo o que é preciso fazer para viver em paz. O mundo externo não pode nos fornecer determinadas coisas, senão nós mesmos, nos momentos em que nos encontramos suficientemente interiorizados, aptos a ouvir as respostas que o espírito nos traz, quando pedimos por elas.

Na verdade existem respostas para tudo! Nós é que estamos surdos para a vida interior, boa parte do tempo, incapacitados de ouvir o que vem de dentro. E por que? Porque encontramo-nos imersos na correria do mundo, sem conseguir tomar fôlego. Ofegantes  nos perdemos em meio ao nosso próprio agito, esquecendo-nos de reservar um tempo para as questões íntimas, que exigem sua atenção também.

O estresse surge da falta de cuidado frente as questões interiores. Faz-se necessário olhar um pouco mais para dentro de si e ouvir suas reais necessidades, que são espirituais. Procedendo assim o ser humano se sente vivo internamente, capacitando-se a captar as boas energias que perpassam todo o universo. Elas o fortalecem para que possa encarar os desafios diários com sucesso, encontrando o equilíbrio.

A vida estressante de hoje é resultante da falta de interiorização. O ser humano precisa interiorizar-se um pouco mais para se sentir vivo por dentro. Isso não quer dizer que o estresse o abandonará completamente, mas pode ser amenizado, assumindo um patamar mais aceitável.

É preciso ter vida interior para equilibrar-se no mundo agitado de hoje. Quem não a tiver toma parte da correria externa sem ao menos se dar conta disso. Falta-lhe a consciência necessária que somente a interiorização pode lhe fornecer, quando passa a viver um pouco mais para as questões interiores, e não exclusivamente para as exteriores. Mesmo vivendo num mundo estressante o ser humano pode encontrar o seu ponto de equilíbrio, alcançando a paz de espírito. Tudo depende de como se relaciona com as coisas. Se permite que tomem conta de sua existência completamente; ou se reserva alguns momentos de interiorização para si, onde aprende a ouvir suas questões íntimas, que precisam ser identificadas e respondidas.

Não é tão difícil saber o que é necessário para viver em paz. Primeiramente o ser humano precisa aprender a ouvir o que vem de dentro dele mesmo (sua vida interior). Uma vez que passa a se observar melhor, também empreende o autoconhecimento, que por fim lhe traz o equilíbrio entre o mundo interior e o exterior. Com isso suas ações passam a ser mais equilibradas, permitindo-lhe entrar em harmonia com o universo, que espera de cada criatura humana essa sintonia plena.

Vivendo em harmonia com o universo o ser humano se serve das suas energias. Receptando-as dentro de si se torna forte e determinado, conseguindo encontrar o equilíbrio para encarar a vida diária, sem viver mais nos extremos, o que é sempre desgastante e prejudicial.

O estresse surge porque o ser humano se movimenta acima da sua capacidade de movimentação, muitas vezes, esquecendo-se dos seus limites. Então literalmente “explode”, esquecendo-se que precisa se harmonizar com as energias do universo, que não podem ser encontradas na correria diária, mas na sua sintonia interior, que lhe permite servir-se corretamente de tudo o que a vida tem a lhe oferecer.

Uma pessoa equilibrada jamais haverá de servir-se das coisas de forma errada. Encontrará a medida certa para tudo, o que fará surgir a paz e a harmonia para viver tranquilamente, sem precisar sofrer tanto desgaste, como se dá com aquele que não possui o mínimo de espiritualidade dentro de si, contentando-se apenas com as buscas externas, esquecendo-se das suas necessidades interiores.

Para viver em paz sobre a terra o ser humano precisa equilibrar-se, utilizando-se de tudo corretamente. Assim a vida ganha um sentido, permitindo-lhe encarar os desafios do cotidiano motivado. Com isso o próprio estresse também perde o seu peso aterrador, sendo aliviado consideravelmente. Enfatizemos que não pode ser eliminado por completo, no mundo agitado de hoje; mas reduzido significativamente, o que já é grande coisa.

Com um pouco mais de vida interior o ser humano consegue melhorar muitas coisas do seu mundo exterior. Basta promover uma série de ajustes dentro de si mesmo, para que as coisas fora dele se modifiquem naturalmente, deixando de apresentar as características que  antes lhe perturbavam.

Uma vez que o ser humano modifica sua percepção das coisas, as enxergará de forma diferente, podendo aprender com o que antes lhe desgastava. Essa é a tomada de consciência que traz o amadurecimento, transformando a vida numa ininterrupta escola de aprendizados, onde somos alunos ao longo de toda a existência.

Não se estressar tanto é uma tarefa que nos cabe. É o desafio de dominar os impulsos que nos levam ao desgaste. Trata-se do equilíbrio que permite conferir o movimento exato à vida, para que não nos acomodemos e nem nos esforcemos além dos limites, mas encontremos a medida certa das coisas, que é o melhor remédio para que se viva em paz e harmonia consigo mesmo e com o meio externo.

O estresse tomou conta do mundo porque os seres humanos não se conhecem. Não descobriram suas aptidões nem os seus limites; mas vivem atuando de forma errada, o que não lhes permite vibrar corretamente – que é o segredo para que a tranquilidade se estabeleça na existência das pessoas.

O ser humano não deve ser acomodado nem agitar-se demais. Precisa identificar a sua vida interior – a intuição, que traz o equilíbrio – e construir o seu destino à partir dessas referências, se quiser ser bem sucedido em suas buscas diárias.

Dominar o estresse é um desafio e tanto. Sem o amadurecimento das suas faculdades espirituais o ser humano jamais haverá de consegui-lo. Precisa primeiro conhecer-se melhor, identificando seus limites e aptidões, para que trabalhando de forma correta (equilibrada), possa conduzir sua vida para a excelência, obtendo resultados positivos em todos os sentidos, desfrutando de paz e harmonia em detrimento disso.

O estresse surge da desatenção também. O ser humano não se leva à sério, em muitos casos. Passa por cima de si mesmo, acreditando que os seus limites não devam ser respeitados. Mas não! Precisam ser considerados com toda a atenção, para que dentro da sua margem de segurança vital possa viver em harmonia com o universo. A paz de espírito é alcançada onde há interação com as suas energias. Já o estresse surge porque não busca sintonizar-se com nada, senão nas coisas efêmeras da vida terrena, que não são suficientes para alcançar o equilíbrio necessário.

O estresse é resultante da vida agitada que as pessoas levam. Onde não guardam tempo para si, experimentam o desequilíbrio e a desarmonia, resultantes da falta de atenção para com as coisas íntimas.

Os seres humanos projetaram-se demasiadamente para fora, esquecendo-se que precisam voltar às suas origens íntimas (o Eu interior), do qual se afastaram completamente, obcecados pelas coisas externas, que os roubaram de si mesmos. Restou somente a correria externa na vida dos homens. O que existe dentro deles foi renegado, como se o mundo exterior pudesse dar respostas para tudo. No que se refere às questões mais grosseiras da existência pode até ser “bem sucedido”. Mas no que se refere ao ser de cada um não tem como auxiliar, pois é na dimensão íntima que jazem as respostas que dão um sentido a existência.

As coisas externas não ajudam nisso, senão o que o ser humano encontra em sua natureza íntima, de forma livre e desimpedida. Esse é o caminho que conduz à paz interior, e que por fim o liberta do estresse, que assedia aos mais efêmeros e superficiais, que não se voltam para as profundezas do seu ser, por não acreditar que de lá venha o essencial – o próprio significado da existência humana.

Dentro de si mesmo o indivíduo encontra solução para tudo. Para o sofrimento e o estresse. Basta apenas conhecer-se e atuar em harmonia com a vontade do espírito, que naturalmente todos os caminhos serão indicados. Essa é a via do sucesso, seja na esfera material ou espiritual. No demais, basta viver em conformidade com esses anseios interiores. Toda a existência se harmoniza onde o ser humano trabalha corretamente suas aptidões íntimas.

(Maro Schweder)